Por Neuton Correa e Israel Conte

 

Em entrevista ao BNC, o deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM) confirmou articulações para sua candidatura ao Senado Federal em 2018 e fez duras críticas a Alfredo Nascimento (PR) por não querer votar a reforma da Previdência. “A fala (do Alfredo) é um acinte à sociedade brasileira. É não ter coragem de enfrentar a realidade”.

O parlamentar também falou sobre os nomes que concorrem à Presidência da República, Operação Lava Jato, Zona Franca de Manaus e a sua ida ao Paraguai para trazer à discussão a fuga de indústrias brasileiras para o país vizinho.

Em Manaus, Pauderney tem aproveitado o recesso parlamentar para conversar com aliados sobre sua candidatura a senador do Amazonas.

“Tenho ido fazer visitas assim como estou recebendo. Tô no aquecimento e conversando”, diz ele, que completa. “O trabalho que realizamos em Brasília ao longo dos anos me credencia para disputar o cargo”.  Pauderney  está no sexto mandato como deputado federal  (1991-2007 e 2011-atual).

 

“A Zona Franca de Manaus não é simplesmente um número. Se por um lado ela tem uma renúncia de R$ 28 bilhões,  a arrecadação de impostos se equivale a renúncia”

Sobre os recentes ataques do jornal Folha de S. Paulo ao modelo econômico

 

PREVIDÊNCIA 

Ferrenho defensor da reforma da Previdência, um tema que dominou boa parte da entrevista, Pauderney ressaltou: “não só voto a favor, como é necessária para conduzir o País para uma normalidade fiscal. O rombo previsto para esse ano é de R$ 189 bilhões. [Se nada for feito], vai faltar dinheiro para saúde, assistência social e pode até faltar para o Bolsa Família pois a arrecadação do tesouro é uma só”, afirmou.

Questionado sobre a posição de seu colega de bancada, o deputado federal Alfredo Nascimento (PR), de não querer votar a reforma durante o governo tampão de Michel Temer (PMDB), Pauderney não poupou críticas.

“Só lamento que uma pessoa como o deputado Alfredo Nascimento que já foi prefeito de Manaus, superintendente da Suframa, já foi senador da República, ministro de Estado, fale uma bobagem dessa. Isso é puro populismo. É querer agradar uma parcela da população e não reconhecer o tamanho do problema que nós temos nas mãos. Não podemos deixar o País ir para o abismo. A questão da previdência é uma questão atuarial. Isso é populismo. É não ter coragem de enfrentar a realidade  com o que estamos vivendo. A fala (do Alfredo) é um acinte a sociedade brasileira. A quem ele quer agradar? Aos mais ricos? Só pode ser”, disparou.

A votação da reforma já tem data marcada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ): 19 de fevereiro.

 

“Citado não quer dizer que tenha sido condenado. Condenado da Lava Jato eu não apoio.”

Sobre a operação da Polícia Federal e palanques em 2018

 

PARAGUAI 

O parlamentar disse ainda que fará uma viagem ao Paraguai para trazer à discussão o fato de que de cada 10 empresas que se instalam no Paraguai, sete são brasileiras.

“Isso é de uma gravidade que não tem tamanho. Já discuti isso com o presidente da Câmara. Vou fazer uma viagem ao Paraguai e ver o que efetivamente está acontecendo. Vou ao ministro da Indústria e do Comércio, ao das Relações Exteriores, vou com o embaixador do Brasil no Paraguai. O Paraguai está dando tudo o que é de incentivo. Oferecendo quase de graça, terreno, energia e impostos mínimos”, alertou.

 

 

OPINIÃO SOBRE OS PRESIDENCIÁVEIS

“Teria enormes dificuldades de apoiar um candidato do meu partido se o Arthur Virgílio se tornar candidato à Presidente da República pelo PSDB. Ele é amazonense”

“O Rodrigo Maia (DEM) é queridinho dos agentes de mercado. O PIB paulista gosta e quer apostar nele. E já tem apoio declarado do PP e SD, caso seja candidato.”

“[Henrique] Meirelles (PSD) é um grande nome. Uma pessoa extremamente capaz e eficiente. Mas tá errando porque tem que estar focado naquilo que mais interessa nesse momento para o País, que é fazer as reformas. O Meirelles avançou a linha e tem que voltar para a sua trincheira”

“A candidatura do Lula (PT) vai perder fôlego. Acredito que ele deverá ter confirmada a sua condenação em segunda instância e a partir daí deixa de ser candidato, pois torna-se um ficha suja”. 

“[Jair] Bolsonaro (PSC) vai ficar aí, a meu ver pode crescer mais um pouco. Mas acho que uma candidatura de centro pode assumir um papel relevante nesse processo”