Com preocupação, técnicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e entidades empresariais estão monitorando o interesse de empresas brasileiras em transferir suas linhas de produção para o vizinho Paraguai.

Como mariposas atrás da luz, elas estão sendo atraídas por facilidades e vantagens fiscais que, dificilmente, irão obter aqui.

Entre esses atrativos estão a doação de terrenos, energia e mão de obra baratas e com legislação trabalhista sonhada pelos capitalistas, além de regras que facilitam a instalação das fábricas, como, por exemplo, a dispensa de PPB (produto produtivo básico), hoje um dos maiores entraves do Polo Industrial de Manaus.

A Suframa, que cuida do modelo ZFM, já tem informações de que pelo menos 100 empresas de médio e pequeno portes cruzaram a fronteira do país em busca dessas facilidades.

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) também já tem essas informações e já sabe que empresas instaladas em Manaus e que possuem plantas em outras regiões brasileiras estão se transferindo para o país vizinho.

Para o presidente do Cieam, Wilson Périco, a questão não deve preocupar apenas o Amazonas, mas todo o país.

“Temos que entender a abrangência disso e ver o que está sendo pensado pelo país em termos de preservação da competitividade industrial, para nós não apenas preservamos os investimentos aqui, mas, também, preservamos os empregos que esses investimentos geram aqui no Brasil e em Manaus”, alertou.

Périco criticou o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, o senador Armando Monteiro (PTB-PE). Para ele, foi o ex-ministro que apontou para os empresários brasileiros o caminho paraguaio.

“O Armando Monteiro, que foi presidente da CNI, ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, levou a primeira missão brasileira ao Paraguai, para conhecer aquele negócio lá, para oferecer aquele país como atração de investimento. Faz sentido na tua cabeça um negócio desse?”, ironizou.

O líder empresarial amazonense também criticou a visão que domina os cargos públicos.

“Não adianta você ter gestores públicos nas três esferas que não tenham interesse regional e social acima dos interesses pessoais e políticos partidários”.

 

Lei da Maquila

O que hoje está tirando o sono dos brasileiros chama-se “Lei da Maquila”. Foi criada pelo Paraguai há 17 anos como estratégia de desenvolvimento regional. Ela se inspira no modelo mexicano.

Essa lei prevê isenção de impostos para empresas estrangeiras para importar maquinários e matéria-prima, desde que o produto final seja exportado. Há apenas um tributo único de 1% sobre a fatura de exportação quando a mercadoria deixa o Paraguai. Leia mais.

 

Foto: BNC