Na batalha que travam contra o Governo do Estado, agora no campo judicial, 118 médicos ortopedistas que prestam serviço à rede pública via Instituto de Traumato-Ortopedia do Amazonas (ITO-AM) informam na manhã deste dia 5 que estão dispostos a voltar à mesa de negociação para receber dívida de cinco meses.

“… Cremos ter havido um erro em algum momento da negociação … porém estamos 100% disponíveis a consertá-lo …”, diz trecho de carta divulgada hoje.

Isso acontece no dia seguinte à decisão monocrática de desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) de que o governo quite parte dos atrasados e que o ITO-AM mantenha os serviços emergenciais em toda a rede e cirurgias eletivas e atendimento ambulatorial apenas no hospital João Lúcio.

Os ortopedistas não aderiram ao acordo que o governo fechou até agora com 77 empresas médicas e de enfermagem que prestam serviço ao estado para pagamento da dívida deixada por gestores anteriores.

Em reunião que fará hoje, o ITO-AM afirma que espera que o dinheiro já esteja na conta. “E se a ordem judicial não for cumprida, nos reservaremos ao direito de agir conforme a lei nos permite”, fecha carta assinada pelo presidente da entidade, Rafael Benoliel.

O Governo do Estado, por meio da Procuradoria-Geral (PGE), já anunciou ontem mesmo que vai recorrer da decisão monocrática de magistrada.

 

O que diz o ITO-AM

Carta aberta à população amazonense – 05.12.2017

A justiça se pronunciou, por meio da Excelentíssima Desembargadora Dra. Maria das Graças P. Figueiredo, e tivemos nossa dignidade profissional parcialmente resgatada.

4 longos meses haviam se passado e nenhum dos últimos 3 Governadores se mostrou solidário à nossa grave situação financeira… e psicológica. Ao invés de soluções, dificuldades eram repetidamente arroladas.

Quando da última tratativa, decidimos pelo embate. Não nos parecia justo que terminássemos o ano com míseros 1,5 mês pagos, do total de 4 devidos.

Idealizamos uma manifestação ordeira e inteligente, sem maiores prejuízos à rede de atendimentos. 33% das unidades de urgência e emergência mantidas, apesar dos graves problemas estruturais e de abastecimento, e 100% dos colegas trabalhando.

Voltamos sob força de uma primeira liminar, mas sabíamos que muito ainda estava por vir. Voltamos, pois ordem judicial, por mais controversa que seja, deve ser cumprida, e assim foi. Entretanto, assessorados por um corpo jurídico altamente eficiente, conseguimos nos fazer “ver e ouvir” e revertemos a primeira decisão.

Hoje, ainda num caminho que não nos deixa confortáveis, aguardamos pelo bom senso do Governo do Estado, com a quitação da dívida.

Ressaltamos que NUNCA quisemos o embate como primeira opção e que, cremos, ter havido um erro em algum momento da negociação… porém estamos 100% disponíveis a conserta-lo, no intuito de manter a quase sempre cordial relação de trabalho, que já perdura por 23 anos.

O ITOAM continua sendo um parceiro, mas lutará sempre que preciso for para manter os interesses de seus 118 heróis da vida real… porque somente heróis deixam seus problemas pessoais de lado e partem, diariamente, em busca de restituir saúde e bem-estar ao seu semelhante.

Hoje, nos reuniremos, certos de que nosso pagamento já estará quitado. E se a ordem judicial não for cumprida, nos reservaremos ao direito de agir conforme a lei nos permite.

 

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Foto: Reprodução/Portal do Marcos Santos