A elite do comércio e da indústria do Amazonas vem demonstrando pavor à ideia do governador Amazonino Mendes (PDT) de transformar a Secretaria de Estado de Planejamento, que hoje também acumula, sob críticas, o setor de ciência e tecnologia (Seplan-CTI), num puxadinho da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

O susto está demonstrado em duas reuniões que os dois setores, representados pela Federação do Comércio (Fecomércio) e Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e a participação do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), realizaram num período de três dias para discutir o assunto.

A primeira reunião foi na sexta-feira, dia 6, e a última, ontem, dia 9, na sede da Fieam.

Para o presidente do Corecon e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, extinguir a Seplan-CTI é temeroso e um retrocesso:

“Entregar uma estrutura de planejamento ao órgão arrecadador é temeroso, porque pode se focar apenas na arrecadação, não funcionando nem uma coisa nem outra. Planejar é totalmente diferente de arrecadar. Por isso, queremos traçar nessa reunião um planejamento conjunto para apresentarmos o mais rápido ao governador Amazonino Mendes”, disse ele durante a reunião de ontem.

A opinião dele coincide com a do presidente da Fecomércio, Roberto Tadros, que sugeriu a formação de uma comissão para ir ao governador dizer que os dois setores, Fazenda e Planejamento, são incompatíveis.

“Sefaz é tributarista. A função é outra”, disparou.

Outra preocupação do Corecon-AM, Fieam e Fecomércio é com o modelo industrial da Zona Franca de Manaus. Para eles, o acelerado processo de mudança tecnológica poderá fazer com que produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus desapareceram, o que, para eles, exigirá planejamento para acompanhar o que chamaram de revolução industrial.

No que diz respeito ao Coroecon-AM, especificamente, há outro tipo de preocupação, a questão profissional nas áreas de economia, administração e contabilidade. É que elas, de acordo com eles, caminham juntas em planejamento estratégico.

 

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