A direção do maior presídio do estado, o Compaj, onde ficam os criminosos considerados da mais alta periculosidade, estava a cargo de José Carvalho da Silva, um servidor administrativo da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), sem concurso, que ganhava um salário em comissão de R$ 5 mil.

Isso até esta terça, dia 10, quando foi anunciada sua exoneração pelo governador José Melo (Pros), às 6h, matéria divulgada em primeira mão pelo BNC.

Até o dia 28 de dezembro, três dias antes de acontecer o maior massacre entre presos da história prisional brasileira, com 56 mortos no Compaj, Silva ganhava R$ 4 mil como subdiretor.

Desde esse dia, Silva foi guindado a diretor interino do Compaj porque o titular Ilson Vieira Ruiz deixou o cargo.

Em 10 de dezembro, nas cartas que mandaram de dentro do regime fechado, dois presos denunciavam o subdiretor “Carvalho” como o corrupto que “pegava dinheiro” para facilitar ações criminosas da facção Família do Norte (FDN) para entrar armas, drogas e celulares no Compaj.

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Nas funções previstas no contrato com a Umanizzare, como diretor José Carvalho da Silva deveria gerir o presídio com o auxílio da empresa. Evitar e reprimir atos de violência e resistência dos presos estavam entre suas atribuições, para o que poderia ter pedido o apoio da Polícia Militar.

A Seap informou ao UOL que Carvalho estava no posto interinamente, e que uma sindicância foi aberta desde quinta-feira, dia 5 de janeiro, para apurar o envolvimento do diretor nas acusações dos presos, que acabaram mortos no massacre do dia 1º.

 

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