Por Rosiene Carvalho, da Redação

 

Por 44 minutos na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), dois deputados do PMDB usaram a tribuna hoje para anunciar dissidência à candidatura do senador e candidato a governador Eduardo Braga (PMDB) com duros ataques à conduta política dele. As críticas foram feitas na sessão da manhã desta terça-feira.

Os deputados Vicente Lopes e Wanderley Dallas, PMDB, contaram com tempo cedido dos deputado Sinésio Campos do PT, Abdala Fraxe do Pode, Adjuto Afonso do PDT e de Augusto Ferraz do DEM para chamar Braga de “arrogante”, “truculento” e acusá-lo de usar terceiros para perseguir politicamente quem discorda dele.

A defesa de Braga coube à deputada e atual líder da sigla Alessandra Campêlo. A parlamentar acusou os colegas de partido de serem infiéis e de estarem apoiando desde o primeiro turno a candidatura do adversário de Braga nesta disputa, Amazonino Mendes (PDT).

Além disso, Alessandra Campelo disse que Vicente e Dallas durante o Governo José Melo fizeram jogo duplo, insinuando que apesar de serem oposição deixavam de votar contra o Executivo e não se posicionavam contra “escândalos” do Governo.

Troca de líder

Os ataques começaram por Vicente Lopes ao se manifestar contrário à forma como o PMDB trocou a liderança da sigla. Lopes disse que tem 25 anos no PMDB e Dallas 12 anos e que sempre foram fiéis à sigla. Ambos afirmaram que foram surpreendidos com documento do partido apontando Alessandra Campelo como líder do PMDB na ALEAM e deixando a vice-liderança vaga.

Lopes disse que o documento era falso e irregular porque não obedeceu ao regimento interno da ALEAM, que prevê a indicação dos parlamentares. Segundo ele, o estatuto do partido impõe a mesma regra.

“Esse documento apesar de mentiroso traz uma verdade. A verdade da truculência, a verdade da arrogância de quem conduz o partido entendendo que seus membros tem que fazer e seguir suas orientações, quer sejam elas certas ou erradas. Isso é um retrato de uma retaliação pública. É uma ação de forma arbitrária e completamente intransigente. Mas todo mundo sabe que esta é a marca registrada… Ele (Eduardo Braga) sempre age de forma estreita , às escondidas. Não assinou, mas mandou o secretário geral assinar”, disse.

Lopes disse que Braga agiu de forma incoerente na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e em busca de interesses de se manter próximo ao poder central.

“Na hora que a Dilma entrou em dificuldade e o PT precisou da reciprocidade do senador Eduardo Braga. O que fez? Se afastou (…) 30 dias depois estava lá alegre e sorridente ao lado de Temer para cobrar a fatura e ser ministro da Integração Nacional. Para felicidade de todos nós brasileiros, não teve seu anseio atendido. Por esta razão, começou a agir contra os interesses da nação, sendo contra a reforma da previdência”, disse.

Vicente disse que decidiu não apoiar Braga neste pleito porque, tendo ele 25 anos na sigla, nunca foi chamado para um deliberação. Também disse que buscou apoio de Braga para candidatos do PMDB no interior em 2016 e não foi atendido. Citou os município de Urucará, Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Codajás como exemplos.

O deputado Vicente encerrou a fala lembrando promessas não cumpridas de Braga quando era governador como uma nova matriz energética por meio do gasoduto Coari-Manaus.

“Pergunto de todos os senhores quando foi que baixou a conta de energia na casa de vocês”, questionou o parlamentar indicando crítica ao líder do PMDB.

Dallas lembrou passado

O deputado Wanderley Dallas lamentou a forma como ele e Vicente Lopes foram tratados na troca da liderança. “Foi de uma pequenez, muito vulgar. Onze deputados foram eleitos na oposição, no final ficaram só cinco. Eu e Vicente fomos uns destes. Fui leal nesta tribuna, levantei minha voz contra o Governo Melo, defendendo o PMDB. No momento mais crucial, fui leal”, disse.

Dallas afirmou que a forma como o PMDB retirou ele e Vicente Lopes da liderança foi gesto de “coronelismo de barranco carcomido com o tempo”. O parlamentar encerrou a fala relembrando a dissidências de antigos aliados do Governo Braga.

“Quero deixar aqui alguns por quês. Por quê o deputado Bosco Saraiva (PSDB) não está próximo do senador Eduardo Braga? Por quê Chico Preto (PMN) não está como Eduardo Braga?  Por que o ex-deputado Lino Xícharo não está próximo dele? Por que o vice-prefeito Marcos Rotta saiu do PMDB e não está próximo do senador Eduardo Braga? Por que o Vicente não está? O povo sabe responder. Vamos responder isso aqui”, disse.

Lopes e Dallas afirmaram que para tornar a indicação de Alessandra um ato que permitiria ela entrar “pelas portas da frente” votariam na parlamentar para assumir a liderança.

Infiéis

A deputada Alessandra Campêlo afirmou que os dois deputados do PMDB usaram a questão da troca de liderança para tentar justificar a infidelidade à sigla e a Eduardo Braga desde o primeiro turno. Disse que nunca entrou pelas portas do fundos em lugar nenhum e que foi escolhida líder porque ambos não participam das reuniões do PMDB e estão apoiando candidatura diversa a da sigla.

“Assumam que vocês apoiam o Amazonino Mendes, o candidato do grupo de José Melo. Para mim fica claro porque muitas vezes vocês fugiam de votações. Agora vem dizer que o PMDB fez escondido um documento. Claro que não, queridos, vocês foram convocados e não participaram”, disse.

A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da coligação de Eduardo Braga pelo telefone 9XXXX-XX73 e também com o secretário-geral do PMDB, Miguel Capobiango 9XXXX-XX30, mas as chamadas não foram atendidas.

 

 

Fotos e áudio: Reprodução/ALE-AM