O senador Eduardo Braga (PMDB), ao avaliar os problemas de Manaus e do Amazonas, que considerou gravíssimos na saúde e segurança pública, foi ameno com o governador Amazonino Mendes (PDT) e seu pouco mais de um mês no cargo.

Durante entrevista a Ronaldo Tiradentes, no programa “Manhã de Notícias” desta segunda, dia 13, Braga julgou que “é muito cedo para se cobrar alguma coisa do Amazonino”.

Alertou que a população já vem sentindo as consequências dos problemas desses setores há algum tempo, sem que, como senador, tenha sido procurado para colaborar a partir de Brasília, mesmo tendo se colocado à disposição de todos os governos.

Sobre os cenários políticos e eleitorais no Amazonas para 2018, Braga foi questionado se pretende resgatar o velho grupo com Amazonino, Omar Aziz (PSD), Alfredo Nascimento (PR) e outros.

Respondeu que não conversa com Amazonino desde a eleição, quando diz ter colocado seu mandato à disposição do governo.

“Estou à disposição do Amazonas, de Manaus, para ajudar. Tenho liberado recursos para os municípios como senador da República. Mas, não fui procurado pelo [José] Melo, pelo David Almeida [PSD, governador interino por cinco meses], e até hoje não fui procurado pelo Amazonino”, disse.

Segundo ele, só em julho ou agosto do próximo ano é que vai ver em que “posição vamos jogar”.

 

Rescaldo

Braga admitiu que seu grupo político se esfacelou na eleição de 2017 e perdeu os principais apoiadores. Entende ele que arcou sozinho com o ônus da derrota porque “as pessoas não querem analisar que perdeu o conjunto que jogou”.

“A Rebecca [Garcia, do PP], que tinha sido minha vice em 2014, sai apoiada pelo Governo do Estado; o Arthur Virgílio [Neto, prefeito], que tinha sido apoiado por nós, inclusive com a indicação do vice [Marcos Rotta, que depois saiu do PMDB e hoje está no PSDB], faz um movimento de apoiar o Amazonino…”, afirmou.

O senador não citou deputados e prefeitos do seu partido que se bandearam para o adversário, como Wanderley Dallas e Vicente Lopes.

 

O vice

Braga disse que a chapa que formou com Marcelo Ramos (PR) de vice para a eleição de 2017 foi a “possível”. Na semana passada, Marcelo revelou que se arrependeu de ter se aliado ao senador.

Sobre o nome da deputada federal Conceição Sampaio (PP) ter sido cogitada para a vaga de vice nessa eleição, Braga disse que não foi ele que mudou em relação a essa escolha.

“A Conceição Sampaio é uma grande parlamentar e eu teria muito orgulho de ter marchado com ela. O que o bastidor da política não fala é que já havia conversações do David com o PP para o lançamento da candidatura da Rebecca ao governo”.

Ele disse que uma candidatura não se lança com um simples telefonema. “Olha, eu vou te lançar candidato ao Governo do Estado, e nós vamos agora ali na sede do Podemos te lançar. Não é assim que acontece”.

Braga se referia ao modo como foi feito o lançamento de Rebecca, em reunião comandada pelo governador interino naquele momento, David Almeida, na sede do partido Podemos, quando emplacou o vice na chapa, o deputado Abdala Fraxe, que depois viria a ter o registro negado pela Justiça eleitoral.

Nesse ponto é possível inferir das palavras de Braga um certo ressentimento com Rebecca por não ter lhe apoiado.

“Eu vinha conversando com a Rebecca, com o Chiquinho [Garcia, pai de Rebecca e presidente do PP], e lamentavelmente também houve conversas do David com a Rebecca, que a levaram a ser candidata”, disse.

O senador acrescenta que ela teria lhe dito que, após ter saído da Suframa, exonerada pelo governo federal, não ia ser candidata. Rebecca foi superintendente da Zona Franca de Manaus por indicação de Braga.

“É alguém do meu campo partidário. Tanto é que os votos que a Rebecca teve no interior do estado, basicamente a grande maioria saiu da minha base. E na capital a Rebecca entrou com o apoio da máquina pública, tanto é que tem ações no Tribunal Regional Eleitoral que tratam de como a máquina pública foi usada”, afirmou.

Na entrevista à Tiradentes, Braga tratou ainda de outros temas, como reforma da previdência, eleição à Presidência da República, privatização da Eletrobrás.

 

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Foto: Reprodução/TV Tiradentes