Descendente indígena do Amazonas, Anne Karolyne entrou para o Partido dos Trabalhadores (PT) aos 15 anos de idade. Ajudou a construir a juventude do partido, foi diretora da UNE e, por onde passou, deixou sua marca feminista.

Hoje, aos 30 anos, Anne é a única candidata do Norte do Brasil a disputar a preferência de 700 delegadas para se tornar secretária nacional de mulheres.

A eleição ocorre neste sábado, dia 7, e domingo, dia 8, em Brasília, durante o Encontro Nacional de Mulheres do PT. A postulante concorre pela corrente interna  Construindo um Novo Brasil (CNB), e tem outras quatro adversárias.

Em entrevista ao BNC, a candidata fala porque deve ser a escolhida, afirma que o ex-presidente Lula está sendo perseguido, enxerga o partido vivendo um momento de renovação e conclama uma união interna “principalmente nesse momento de forte ataque à Amazônia por parte do governo Temer”.

Quem é a Anne Karolyne? 

Sou, Anne, descendente indígena do Amazonas , e hoje estou candidata ao cargo de  secretária nacional de mulheres. Sou uma mulher feminista de garra e de luta, hoje compondo o Diretório Nacional do PT, e, na última gestão participei da executiva nacional. Minha construção é fruto da implementação das cotas étnico-raciais e geracionais e da paridade no Partido das Trabalhadoras.

Quanto tempo a senhora está no PT?
Entrei no PT com 15 anos de idade. Agora, com 30, faz 15 anos que estou nessa luta. Construí por muitos anos também a Juventude do PT e o movimento estudantil, desde o movimento secundarista até o universitário, em que me tornei diretora da UNE. Por onde passamos, deixamos nossa marca de organizar as mulheres, pautando o feminismo e formando lideranças pois a construção de uma sociedade mais justa e igualitária passa pelo fortalecimento coletivo de todas as mulheres.

Por que a senhora deve ser escolhida secretária nacional de mulheres?
Estamos vivendo um momento de renovação no PT, tanto do ponto de vista geracional como da renovação da política. Isso significa horizontalizar e coletivizar cada mais a gestão da Secretaria de Mulheres do PT, que deve ser próxima e envolver as mulheres de todo o Brasil. Somos mulheres diversas e nossa força está nessa diversidade. A nossa verdadeira riqueza é a diversidade, humana e cultural. A Secretaria Nacional de Mulheres deve não só acolher, empoderar e emancipar mas também visibilizar nossas pautas, bem como empoderar-nos como sujeitas, individuais e coletivas.

Quem são suas concorrentes?
Cada tendência dentro do PT, tem sua candidata, representando suas ideias. Estão concorrendo a Liliane Oliveira, da Bahia; Patricia Amália, do Piauí; Kátia Guimarães, do Mato Grosso do Sul e Rita de Cássia, de Minas Gerais.

A senhora é a única representante do Amazonas ou Norte. Como foi o seu processo de escolha?
Sou a única candidata do Amazonas e também a única do Norte. O diálogo e a construção com as mulheres de todo o Brasil já vem de quando cumpri a tarefa da Executiva Nacional do PT. Recentemente, visitei os Estados e construí essa candidatura com as mulheres petistas, participando de encontros, debates, reuniões, atividades. Foi muito emocionante essa construção. Em seguida, minha corrente no PT, Construindo um Novo Brasil, fez uma plenária nacional e nosso nome foi escolhido pela maioria das mulheres de todo o país.

Qual é a sua opinião sobre as recentes denúncias contra o Lula?
Lula está sendo perseguido porque ele representa um projeto que transformou o Brasil. Os governos do PT, de Lula e Dilma, tiraram 40 milhões de pessoas da miséria, colocou as filhas e os filhos das trabalhadoras na universidade, empoderou as mulheres, e muito mais. A elite que se estabeleceu aqui desde a invasão do país não suporta essas mudanças, e não é à toa que as denúncias contra Lula vêm logo após o sucesso da Caravana do Nordeste. Aguardamos ansiosamente a Caravana do Norte, principalmente do Amazonas.

Qual a sua participação e como a senhora enxerga o PT no AM?
Estamos vivendo um momento peculiar depois da nossa vitória na votação ao governo suplementar na capital. Estamos num momento de muita unidade e organização interna no PT, para que, nas próximas eleições, tenhamos um projeto de alternativa de sociedade, assim como fortalecer nossa organização interna. Nossa união é muito importante, principalmente nesse momento de forte ataque à Amazônia por parte do governo Temer.