Por Jadir Augusto*

 

O tsunami político provocado pela operação Lava Jato no Brasil deverá influenciar diretamente o resultado da eleição suplementar para governador do Amazonas.

Lideranças políticas do alto escalão amazonense, e que lideram as suas respectivas siglas partidárias no estado, estão sob a mira da Polícia Federal.

Na lista que era de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, e que depois virou de Fachin, ministro do STF que relata a Lava Jato, aparecem os nomes de seis dos principais cardeais políticos do Amazonas.

Os senadores Eduardo Braga (PMDB), Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Omar Aziz (PSD) despontam na lista, além do deputado federal Alfredo Nascimento (PR), do prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB) e do comandante do PCdoB no Amazonas, Eron Bezerra.

Todos citados nas delações dos executivos da maior construtora brasileira, a Odebrecht.

Contudo, desses seis nomes, Eduardo Braga, pré-candidato a governador, e que lidera até agora as pesquisas de intenções de voto, é o que se encontra em situação de maior vulnerabilidade.

Ele não resiste a uma simples pesquisa no “Google” para ter o seu nome “linkado” diretamente à operação Lava Jato.
Além da citação do seu nome na delação da Odebrecht, ele aparece na delação dos donos da Friboi (JBS), como um dos “coringas” do Senado, e também na delação dos ex-executivos da Andrade Gutierrez, como recebedor de propina.

A delação da Andrade Gutierrez deve tirar o sono do ex-governador.

A construtora Andrade Gutierrez é a que comandou os consórcios que construíram grandes obras do estado, como o Prosamim, a ponte Rio Negro, a Arena da Amazônia e o gasoduto Coari-Manaus.

Todas são obras dos governos Braga, e sobre as quais, há muito tempo, pesam denúncias de superfaturamento.

Delações da Andrade Gutierrez, sobre irregularidades nas construções dos estádios da copa, já levaram para a cadeia os ex-governadores Sergio Cabral (RJ), José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz (DF) e Henrique Eduardo Alves (RN), este também ex-ministro do Turismo.

As delações de Wesley Batista, dono da JBS, afirmando ter pago R$ 6 milhões para comprar o apoio de Eduardo Braga para a chapa Dilma-Temer em 2014, já derrubaram o pré-candidato em seis pontos percentual nas pesquisas.

Uma delação da Andrade Gutierrez, durante a campanha eleitoral, pode ser fatal para a candidatura de Eduardo Braga e dar um novo rumo para o resultado da eleição suplementar do Amazonas.

 

*O autor é administrador, assessor e articulista político