Sou permanentemente grato a vc.

Acolheu-me em São Paulo com amizade e carinho, que são inesquecíveis ao meu coração.

Lembro-me de cada detalhe e dia, como se fosse hoje.

Nesse particular o tempo não passou, nem as lembranças deixaram de ter valor.

Avalio, agora, a sua apreensão e ansiedade com o desenrolar da campanha eleitoral, que tem o seu irmão como um dos protagonistas e com grandes possibilidades de vitória.

Nesse mesmo sentido, peço-lhe avaliar o que venho enfrentando, para me manter íntegro, imparcial e justo.

Não tenho nem saído de casa.

É pressão de todos os lados.

Sinceramente, se soubesse o que iria enfrentar não teria aceito o encargo.

Já deixei de fazer duas viagens e tenho tido assídua insônia.

Sei que estou sob olhares e vigilância contínua. Qualquer concessão serei escrachado.

Por isso, peço-lhe desculpas por não atende-la como gostaria.

Este prédio onde moro é todo cercado de câmeras, sem falar que sou vizinho de um delegado federal; o síndico é um delegado civil; dois desembargadores; dois promotores de justiça e uns três advogados.

Desculpe-me mais uma vez e a saiba o quanto lamento em não recebe-la.

Minha preocupação agora é com o amanhã.

As eleições passarão, ou talvez nem ocorram, e provavelmente muitas amizades perecerão.

Fico comovido é triste, mas vc é inteligente e pode compreender o que se passa comigo.

Tenha a certeza de uma coisa: todos os candidatos estão recebendo igual tratamento.

Deus lhe ajude a entender a minha situação.

Paulo Fernando